domingo, 21 de julho de 2013

Cuidados com a beleza na gravidez


Cuidar da beleza durante a gravidez faz bem para o corpo e a mente, mas é preciso cuidado ao escolher os cosméticos nessa fase. De acordo com Maurício Pupo, farmacêutico, especialista e professor de pós-graduação em Cosmetologia, “alguns produtos podem desencadear alergias e irritações cutâneas, mas outros atravessam a placenta e podem até mesmo ser encontrados no leite materno”. 
Coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro, a dermatologista Monica Azulay lembra que as profissionais do ramo de estética e beleza correm muito mais risco, já que estão constantemente expostas aos produtos. “A gestante pode pintar o cabelo, desde que use tintas temporárias - os xampus tonalizantes - e não use o produto com muita frequência. Cabeleireiras e principalmente tinturistas, que lidam com diferentes tipos de tintas, todos os dias, devem usar luvas e máscaras, de preferência em ambiente arejado”, explica a médica.

A seguir, os especialistas tiram dúvidas frequentes sobre o uso de substâncias presentes em produtos de beleza durante a gravidez:

1 Amônia
A dermatologista Monica Azulay explica a diferença entre os produtos: “As tintas permanentes e semipermanentes cobrem os fios brancos e duram de 4 a 6 semanas. Estes produtos contêm amônia e não devem ser aplicados durante a gravidez. As tinturas temporárias, que não atravessam a cutícula do cabelo, podem ser usadas pelas gestantes. O grande problema é que os profissionais dos salões de beleza costumam misturar 2 ou 3 cores até atingir a tonalidade desejada. Para a segurança da mãe e do bebê, é preciso ter certeza dos produtos que estão sendo aplicados”. A dermatologista lembra que a henna disponível no mercado raramente é pura. “Ela costuma estar associada a sais metálicos, que podem trazer problemas para o recém-nascido”, orienta Monica.

2 Óleo mineral
Presente na maioria dos produtos graças a sua ação emoliente, o óleo mineral (um derivado de petróleo) foi associado em diferentes estudos ao aumento da mortalidade por diferentes tipos de câncer, como linfoma e leucemia. “Existem estudos publicados em renomadas revistas científicas, como American Journal of Industrial Medicine e Regulatory Toxicology and Pharmacology. No rótulo é possível identificar a presença de óleo mineral através dos termos paraffin oil e mineral oil”, explica o especialista em cosmetologia Maurício Pupo.

3 Ureia
Um dos principais componentes dos hidratantes, a ureia penetra na pele e pode atravessar a placenta, chegando ao feto. “Ainda não existem estudos explicando as consequências para o bebê”, diz o farmacêutico, especialista em cosmetologia, Maurício Pupo. “A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que produtos com em dosagens maiores do que 3% de ureia devem conter no rótulo um alerta para que não sejam usados durante a gravidez. O órgão também proibiu a fabricação de cosméticos com concentração de ureia superior a 10%”, explica o profissional.

4 Filtro UV
De acordo com estudo realizado pela Universidade de Zurique, na Suíça, alguns fotoprotetores podem chegar ao leite materno. “Os resultados apontaram a presença de filtro UV em 85% das amostras de leite materno testadas. Como as substâncias podem ser tóxicas para o bebê, recomendo o uso de foto protetores físicos 100% minerais durante a gravidez, que garante segurança, já que não é absorvido pela pele”, diz Maurício Pupo. Os filtros a que ele se refere são formulados exclusivamente com o dióxido de titânio e o óxido de zinco , tipo pasta d’água.

5 Guanidina 
Monica Azulay explica que produtos para alisar cabelos costumam conter guanidina e tioglicolato de amônio, substâncias que ainda necessitam de mais estudos para determinar efeitos potenciais na mãe ou no bebê. “A guanidina e o tioglicolato fragilizam a fibra capilar e podem irritar o couro cabelo, mas não temos comprovação sobre má formação fetal. Como os efeitos são pouco conhecidos, recomendo que as gestantes não façam uso destes produtos durante o primeiro trimestre de gravidez”, orienta a dermatologista.



quarta-feira, 3 de julho de 2013

A origem do vínculo mãe e bebê

 Muito antes de seu nascimento e ainda no ambiente intrauterino, tem início a formação do vínculo entre a futura mamãe e seu bebê. Trata-se de um processo de comunicação tão complexo quanto sutil e que torna possível esta troca íntima e profunda. O vínculo é de importância vital para o feto, pois precisa se sentir desejado e amado para propiciar a continuação harmoniosa e saudável de seu desenvolvimento.
A formação do vínculo não é automática e imediata, pelo contrário, é gradativa e, portanto, necessita de tempo, compreensão e amor para que possa existir e funcionar adequadamente. É, também, fundamental para que possa compensar os momentos de preocupações e reveses emocionais maternos e que todos nós estamos sujeitos no cotidiano.
O amor e a rejeição repercutem sobre a criança muito precocemente mas, para que possa dar significado a estes sentimentos é preciso maturidade neurofisiológica. Assim, até os três primeiros meses de vida intrauterina, as mensagens enviadas pela mãe são, em grande parte, incompreendidas pelo embrião, muito embora possam causar-lhe desconforto se percebidas como desagradáveis.
À medida que vai evoluindo, o feto torna-se capaz de registrar e de dar significado às emoções e sentimentos maternos. É quando, então, começa a se formar sua personalidade, o que ocorre por volta do terceiro trimestre de gestação.
A ansiedade materna é, de certa maneira, até benéfica ao feto, pois perturbando a neutralidade do ambiente uterino, perturba-o também, conscientizando-o de que é um ser distinto, separado desse ambiente.
Para se livrar desse desconforto, ele começa a elaborar progressivamente técnicas de defesa como dar pontapés, mexer-se mais ativamente, e que funcionam, para a sensibilidade materna, como um envio de mensagem de que está sendo perturbado. Se houver sintonia materno-fetal, imediatamente a futura mamãe capta esta mensagem e começa a passar a mão delica mente em seu ventre, o que é percebido e decodificado pelo feto como atitude de compreensão, carinho e proteção, portanto, como tranquilizadora.
Com o decorrer do tempo, a experiência de desconforto transforma-se em emoção e tem início a formação de ideias sobre as intenções maternas em relação a si mesmo.
Desta maneira, se a mãe for amorosa e tiver uma relação afetiva rica com seu bebê, contribuirá para que nasça uma criança confiante e segura de si. Assim também, se mães deprimidas ou ambivalentes que, por uma razão qualquer, privam o feto de seu amor e apoio, certamente favorecerão o estado depressivo e a presença de neuroses na criança e que podem ser constatados após o nascimento, pois sua personalidade foi estruturada num clima de medo e angústia.
Mesmo a gestante que rejeita seu filho comunica-se com ele através do fornecimento do alimento. Mas, a qualidade desse vínculo é diferente da mãe que o deseja e esta é a grande diferença, pois não é apenas uma comunicação biológica.
Como o feto capta todas as emoções maternas, as que o fazem entrar em sofrimento como a ansiedade, temor e incertezas, provocam-lhe reações mais fortes e contínuas, enquanto que as de alegria e felicidade, por não alterarem o ambiente intrauterino, permitem que seus movimentos permaneçam suaves e harmoniosos.
O feto sente o que a mãe sente, até como um atitude de solidariedade, porém, com intensidade diferente e sem a compreensão materna. As emoções negativas são percebidas como um ataque a si próprio.